10 de setembro de 2009

Úmida, a noite me faz companhia.
Já há algum tempo tem sido assim, amiga,
Nas horas de tristeza e de fadiga,
E nas horas em que escrevo poesia.

Revelo meu segredo à face fria
Da noite, que me escuta e assim me intriga,
Sem ouvidos, sem lábios... Ela abriga
A augusta paz que agora me sacia.

Sempre silenciosa e paciente,
Ela é, de fato, minha doce irmã,
É minha mãe, é minha confidente.

Sendo assim, ela é minha guardiã.
E sou feliz à hora do poente...
E fico triste aos raios da manhã...

Carlos Eduardo Drummond

2 comentários :

Raquel disse...

Bonita poesia, mas passa solidão.
Prefiro La Dolce Vita, que apesar de no fim apresentar um pouco de dor, teve um início com mais "vida".
Bjss

C. E. Drummond disse...

Olá, Raquel...
Agradeço o comentário. É, de fato, o poema sugere solidão, o que neste caso reforça a relação (necessária) de "amizade" com a noite, outra personagem da história. Um beijo grande,
Carlos