25 de agosto de 2017
24 de agosto de 2017
05:34
Carlos Eduardo Drummond
O
historiador Eric Hobsbawm se referiu ao século passado como a era dos extremos, o breve século XX,
dado o impressionante número de fatos e transformações importantes que
ocorreram no mundo dentro de um único século. Utilizo o mesmo raciocínio quando
penso nos 75 anos de Caetano Veloso. Não sou contemporâneo de sua infância ou
juventude, mas, na condição de pesquisador e biógrafo, tive o privilégio de
conhecer em detalhes cada ano de sua vida. Assim pude comprovar que os 75 anos
desse artista parecem pouco quando pensamos em tudo que ele já produziu no
campo da arte.
Minha
história com Caetano Veloso começou em 1997, quando iniciei, com meu amigo
Marcio Nolasco, uma ambiciosa pesquisa que seria a base para escrevermos uma
biografia verdadeiramente abrangente desse artista. Convivemos com seus irmãos,
amigos, amores, conhecemos sua cidade, sua gente, sua casa, seus filhos.
Estivemos com ele em quatro ocasiões, mas a primeira delas foi, para mim, a
mais emblemática. Em 2000, a cantora Cybele, do Quarteto em Cy, nos
apresentou a ele nos bastidores do show A Arte do Encontro, em homenagem a Vinícius de Moraes. Apertei a
mão dele e disse: Caetano, temos
uma forte ligação com você, mas você não sabe!. Ao que ele me respondeu de
pronto: Pois então quero saber!
Essa
curiosidade insaciável pelo novo, essa necessidade de experimentar, de
interagir, de se entregar sem limites, sem fronteiras, é, sem dúvida, a
característica de Caetano que mais me impressiona. É também aquela que o torna
um artista singular, e o mais completo de sua geração. Caetano Veloso se
reinventa o tempo inteiro, não tem preconceitos em relação a qualquer
manifestação artística, absorve constantemente o que está a sua volta, criando
e recriando, com seu jeito particular de ver o mundo. O Tropicalismo terminou,
mas Caetano nunca deixou de ser Tropicalista. Por todos os motivos do
mundo, precisamos celebrar os “breves” 75 anos de Caetano Veloso.
Carlos Eduardo Drummond
Texto
publicado na Revista Universo FNAC – Edição no 26 – Agosto-Setembro de
2017.
6 de agosto de 2017
13 de junho de 2017
06:57
Carlos Eduardo Drummond
Eu quero ouvir você olhando o vento,
E quero ver você cantando alto,
Mas não procure, assim, de modo incauto,
Zombar da força do meu pensamento.
Não deixe a glória desse sentimento
Julgar meus dons e me tomar de assalto.
A mesma angústia e o mesmo sobressalto
Crucificaram-me em seu Julgamento.
Mas a verdade é um dom que vem de Deus,
E contra Deus ninguém conspirará.
A Ele entrego a luz dos sonhos meus,
Em suas mãos, entrego quem virá...
E assim construo, sem dizer adeus,
A estrada longa desse meu penar.
Carlos Eduardo Drummond
19 de maio de 2017
8 de maio de 2017
10:51
Carlos Eduardo Drummond
Alegria, Alegria:
Finalmente as histórias de vida do nosso velho baiano estão aqui!
Editora Seoman, Livraria Cultura e os autores Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco convidam todos para o lançamento do livro "Caetano - Uma Biografia" com uma programação especial:
Dia 13/05, sábado:
16hs - Sessão de autógrafos
17hs - Pocket Show 'Cantora Gil canta Caetano'
Livraria Cultura | Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2073 - Bela Vista / SP
15 de abril de 2017
10 de abril de 2017
15 de janeiro de 2017
09:53
Carlos Eduardo Drummond
Rogai por mim, dicionário,
Agora e na hora do meu
Exílio literário.
Guardai em vossas páginas
Palavras vestidas com classe,
Adjetivos perfumados,
Levíssimos substantivos,
Artigos destemidos,
Pronomes vencedores,
E verbos de dar inveja a corredores.
Rogai por mim, dicionário,
Agora e na hora do meu
Exílio literário.
Ofertai-me vossa semântica,
E vossa divinal sabedoria,
Pois eu vos declaro:
Minha Bíblia Sagrada,
Meu Novo Testamento,
O testamento da minha poesia.
Carlos Eduardo
Drummond
17 de outubro de 2016
2 de outubro de 2016
25 de setembro de 2016
17 de junho de 2016
17 de maio de 2016
09:17
Carlos Eduardo Drummond
A Cultura de um país é, sem dúvida, seu bem mais precioso. Não há desenvolvimento completo de uma nação sem ter uma Cultura sólida, diversificada, amparada e em constante evolução. Tudo o que foi comentado essa semana sobre o tema torna clichê qualquer fala elogiosa, mas me sinto na obrigação de defender a classe a que pertenço, tanto institucionalmente quanto artisticamente. O fim do Ministério da Cultura foi um golpe no coração do Brasil e dos brasileiros, ainda que muitos não tenham se dado conta, pois a poderosa “força invisível” da Cultura nunca foi perceptível para todos. O que mais me entristece no momento é constatar que o governo recém-empossado decidiu fazer parte desse último grupo. Se a Cultura, de fato, sair da pauta do governo, conforme as modificações estruturais sugerem, os efeitos no futuro da sociedade serão devastadores do ponto de visto humano. E mais uma vez, muita gente nem vai perceber, ou, ainda, não vai associar causa e efeito. Contudo, sou otimista por natureza. Continuarei acreditando na arte e na cultura como agentes de modificação social, imprescindíveis à evolução de cada ser humano. Mais do que acreditar, não deixarei de contribuir de modo prático com esses dois pilares do país, produzindo material de cunho artístico e cultural sempre que a inspiração me fizer companhia.
5 de abril de 2016
4 de fevereiro de 2016
12:42
Carlos Eduardo Drummond
Minha cerimônia de formatura aconteceu em dezembro de 1991, no auditório Mário Lago, em São Cristóvão. Naquele ano, recebi a honra de fazer o juramento diante de um auditório lotado. Conquistei esse direito pelo fato de ter sido o primeiro aluno da Unidade Engenho Novo. Na ocasião, também entrei, pela primeira vez, na sala do "hall da fama" do Colégio Pedro II, em cujas paredes estão gravadas, em bronze, as assinaturas dos alunos eminentes que passaram pelo colégio. No frescor da minha juventude, desejei, secretamente, fazer parte dele um dia. O tempo passa e a vida nos brinda com grandes surpresas. Em março de 2016, vinte e cinco anos depois daquele momento, eu e outros três ex-alunos, entre eles, o compositor Pedro Luís, do Monobloco, seremos homenageados com o honroso título de Aluno Eminente do Colégio Pedro II. As conquistas, definitivamente, chegam para aqueles que decidem lutar por elas.
17 de dezembro de 2015
14:40
Carlos Eduardo Drummond
O Brasil
Não me inspira mais!
Inspira, todavia,
Sem nenhuma poesia,
O jurista, o chargista
E o cronista de jornais!
O petista e o lobista,
O braço dos federais,
A fala do jornalista,
E a missão da Petrobrás...
O sonho do golpista,
A ilusão governista,
E as lutas pessoais!
O Brasil
Não me inspira mais!
Pede perdão, Brasil!
Ajoelha tua face
No espelho da história,
Anistia teu povo,
Da fome, da pobreza,
Da injustiça e da incerteza,
Da promessa tão vazia,
Sem nenhuma poesia,
E das crises sazonais.
Da tua corrupção passiva,
Ativa e coletiva...
Da tua intenção genocida,
Do desemprego demais,
Das doenças sociais,
E da descrença da vida.
Carlos Eduardo Drummond
10 de novembro de 2015
15:25
Carlos Eduardo Drummond
Samba Semi-Finalista do 8º Concurso de Sambas de Quadra - Troféu Nelson Sargento.
Quem não vive para o seu
amor...
Meu bem,
Sabe a flor que você tem?
Não precisa mais regar
Da dor sem dó de doer... de doer...
Eu trago tanto querer
Nas mãos calejadas da vida...
Só pra você...
Certeza demais...
Sempre engana o nosso olhar...
É tolice confessar
E dizer que não quer se esquecer...
E esquecer...
É promessa que não vai valer...
Apenas perder...
E a roda vai girar... vai girar...
Pra ela tem sempre o perdão... o perdão...
Esse é meu jeito de ser,
Não falo de solidão,
Nem gosto de sofrer...
Quem não briga pelo seu amor
Não ama...
Quem não vive para o seu amor
Não ama...
Drummond
- Ivan Wrigg:
12 de julho de 2015
16:41
Carlos Eduardo Drummond
Autores: Me Leva, Maninho do Ponto, Rômullo Meirelles, Zé Glória e Drummond
Luar
do Sertão!
Clareia
a inspiração, clareia...
Abram
as porteiras do seu coração,
O
sonho caipira se fez canção!
Plantando
um canto de amor no Cerrado,
Brotaram
do chão notas musicais!
Saudades
do que deixei por lá... Goiás...
Da
Serra Dourada... de flores bordada, do simples desejo,
Do
homem do campo, o trabalhador,
Herói
sertanejo a mostrar seu valor...
Se tem “Moda de Viola”... Deixa versar!
O
cavaco também chora... Pro povo cantar!
No
“swing” a Leopoldina hoje vai “sambanejar”...
Sanfoneiro
toca o fole até o dia clarear!
Na
fé...
Senhora,
me guia nessa romaria,
Seus
filhos estão aqui, a lhe pedir a proteção,
No
“trem da vida”, em comunhão...
Herança
que coloriu o meu passado,
Lembrança...
De Pirenópolis, o sonho construiu
E
fez nascer os dois filhos do Brasil!
Meu
pai, o grande herói dessa conquista,
Que
apostou todas as fichas,
Para
o amor eternizar!
Mãe,
vem ver nossa vitória,
“Dois
corações e uma história”...
Vem
me abençoar,
Que
passarinho cresce e quer voar!
É
o amor... guiando meus versos,
É
dom de Deus tocar os corações!
Na
força das canções, eternizar minha raiz,
Não
vou negar: Eu sou Imperatriz!
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